A especial rejeição do amor
Percebendo o caminho das vasanas que levam ao sofrimento
A minha história é como a sua, com uma roupa um pouco diferente, mas é como a sua. Caminhos tortuosos se formaram diante dos meus olhos. Agora, o coração se revela na própria jornada.
Nessa nova era da inteligência artificial, não pude deixar de perceber a comparação das automações, é só uma observação, mas são contextos de pensamentos dentro de contextos de pensamentos.
E nessa perspectiva, posso viver essa história e ver com meus próprios olhos como a mente está funcionando.
Existe aqui um pensamento de que todas as pessoas querem ter uma relação comigo, onde o carinho e a atenção são sinônimos de uma intenção a mais. Nessa perspectiva o amor não pode vir da pureza da troca, há algo por trás. Esse pensamento aparece com uma história incrivelmente bem elaborada e aparentemente sem erros e me coloca como o personagem principal de todas as histórias ao redor. Especialmente o centro do universo de todas as pessoas. O próprio pensamento me transforma em uma pessoa doente e pede que eu me afaste, pois não sei viver como digna de receber amor.
Querendo amor, rejeito o amor.
Prazer, mente.
O caminho é da experimentação da própria vida, na dúvida de mim mesma.
A exposição foi pedida e muitas vezes vomitada, como algo simplesmente necessário. Questionei o mundo sobre a minha visão e ele respondeu que estava totalmente torta. Depois, experimentei o não agir com a reação automática de acreditar naquelas conclusões, por mais que os sintomas no meu corpo e na minha mente não fossem diferentes. Inicialmente, angustiante. Parece que um vazio de sede me pede para ser preenchido com aquelas ações.
A resposta reativa são as ações em que me abandono.
Um caminho conhecido.
Então, a respiração e a paciência da temperança foram vistas. De novo, os sintomas apareciam, e então me vi ainda viva e boiando neles — aqui, a não reação já era algo novo. Com mais algumas experiências a partir dessa nova visão, percebi que deixar nas mãos desse que orquestra tudo era a atitude mais inteligente a se fazer.
A temperança não é automática, o impulso sim, aparentemente.
Uma nova visão de confiança no imprevisível, depois de vista, era o único fio que eu precisava. Com ele, pude enviar flores a todos os outros temas dentro do tema maior.
As dores me fazem chorar, e é um grande presente em lágrimas de redenção. Aqui, agora, vejo os pensamentos recorrentes, e vejo que eles não possuem a força que pareciam ter antes — no entanto, não são menosprezáveis, de nenhuma forma, principalmente quando vem a coragem para vê-los como são. A objetividade se mostra e então, o desapego.
Aqui, agora, pude dar e receber abraços com o coração pronto, nascido da pureza da realidade.
Foi dito pelo Professor: "Você vai viver várias coisas e você precisa estar longe."
As primeiras perguntas na minha cabeça: "Que coisas são essas? Será que já vivi o suficiente? Qual conclusão eu preciso carregar comigo ao próximo passo?"
A identificação parece uma cola, você tenta desgrudar de um lado e ela gruda no outro. Enquanto está grudando e carregando algo como conclusão, a angústia do sofrimento persiste. Nos erros e acertos mora a aparente separação. Enquanto houver o certo e o errado, o novo Eu ainda é um objeto para mim.
O que está por detrás dos olhos que enxergam — anterior ao certo e ao errado — não pode caber em conclusões.
No corpo e na mente, as vasanas são vistas, uma a uma, e uma reflete a outra. É realmente incrível. Quando chega a hora de dar adeus, é preciso ver o medo se revelar em coragem, e então assistir o coração sorrir.
A confiança no ser não está nas conclusões. Por mais que elas se mostrem em novas tentativas pegajosas, o soltar sempre se mostra a atitude mais coerente.
Quem está doente? Há realmente uma pessoa aqui?
No mundo relativo posso dizer que sim, mas a aparência não sobrevive à investigação.
Não existe facilidade se tratando do processo de desidentificação, mas um método eficaz que revela a vontade essencial do coração.