Dança do Maluco que Bate Palma pro Macaco
Investigação da Dança do Universo e o Mundo dos Pensamentos
Há um conflito sobre o pensar. Não importa se sou aquele que mexe no celular ou aquele que vê o sol, ainda assim, há algo acoplado na visão de ser "aquele". E, por mais que, em alguns momentos, "esse" ou "aquele" traga um certo apaziguamento, ainda não é o ser.
A identificação segue como um macaco pulando de galho em galho. Aqui não é um objetivo de qual é o melhor para se identificar. Quem está julgando o que é melhor? De onde vem a base do conceito de melhor? Se parar para investigar, olhar profundamente o que dá base a esse "melhor", descobrimos que são conceitos rasos em si. Ideias do que é o amor, ideias do que é felicidade.
Lembro de momentos onde não houve pensamento. É sempre bom.
E essa conclusão é falsa. Quem diz que é sempre bom é a mesma mente que apaga os momentos de conflito e desconfortáveis e ressalta aqueles onde houve pontos de adequação. Os momentos são os momentos, bom e ruim são a narração. Qual é a experiência da narração? Parece que, enquanto não sei o que sou, esses pensamentos ganham um sentido de realidade. Ao serem investigados, se dissipam.
Alguns pontos se reafirmaram hoje. Em uma aula, o Acharya contou uma história de redenção. Onde a mente, presa por conceitos e ideais, se vê em um momento de xeque. Momento crucial onde a honestidade interna grita. Onde não há controle, onde o risco é aceito, onde a flor desabrocha. A grande inteligência divina organiza todos os pontos para ver a sua performance. Esse é o "teste".
E aí, vai aceitar a realidade e vomitar o que quer sair da profundidade mais honesta do coração ou vai tomar o mesmo caminho de sempre? É uma oportunidade. De quebrar o caminho da mente, de abrir o coração para o novo, e de ser o amor que tanto busca. As emoções nos guiam até o coração. E o coração se abre.
Como pessoa, a minha limitação é querer controlar, ser perfeita e especial. Um sonho infantil do paraíso, que não tem um sentido lógico em si. A própria história, a própria história da vida acontece no ritmo das limitações. A linguagem do ser pode ser "percebida" devido à ignorância. Porque há um ser humano ignorante para conhecer. Como posso esperar o conceito de perfeição em um universo dinamicamente impermanente?
Qual é a solidez da mente? No instante incontrolável, a gente joga a consciência lá. É onde vemos o alerta máximo da verdade para perceber com o coração o que é nosso, o que é pessoal, e a gente coloca o que for encontrado em stand by, respira, percebe a emoção e qual é a fala que está sustentando ela.
Esse perceber é um ouvir com toda a atenção. Parece um cochicho atrás da orelha, uma voz sorrateira. Passa quase sempre despercebida, mas ela está lá e a gente ouve ela como de olhos vendados, como se a visão bloqueada tirasse a audição. E finge não dar atenção. Mas, o fingimento de não dar atenção é toda a atenção que essa voz precisa para falar e ser ouvida.
É por ignorância, né?
Ignorância me lembra de que ela só sobrevive até que eu chegue nela. O conhecer desfaz a ignorância, não como um objeto palatável, mas como, simplesmente, um convite a ser conhecido.
O que é conhecido, o conhecimento e o conhecedor aparecem como entidades separadas. E têm a mesma aparência da própria ignorância. Um gosto de separação, palavras que tentam dividir o indivisível. O mundo das ideias que é sustentado pelo ser, tenta concluir e limitar o ilimitado, que o sustenta.